Ora aqui está um tema que gera sempre muitas dúvidas e sobre o qual quase toda a gente tem uma opinião. Decidi falar com quem sabe.

Qual é a maneira mais correta de alimentar as crianças? Muitas famílias se debatem com esta questão e há respostas para todos os gostos. Leonor Cício, autora do blog ‘Na Cadeira da papa’ e do livro de receitas ‘Mãe, quero mais!’, deu-me a sua opinião.

 

1- Qual é a coisa mais importante que os pais devem saber sobre a alimentação dos seus filhos?

Que não é o bicho de sete cabeças que muitos creem. Sinto que muita gente acha que é difícil e requer muita energia fazer com que uma criança tenha uma boa alimentação. Muitas pessoas falam comigo à procura de estratégias e esquemas para que os filhos comam de forma saudável e surpreendem-se quando digo, simplesmente: “estabeleça-se como o exemplo que deseja para o seu filho”. Os nossos filhos são o nosso reflexo e o reflexo dos nossos hábitos, incluindo os alimentares. Se queremos que eles comam bem, é tão simples como comermos bem também. Levar bons alimentos para dentro de casa e deixar os maus de fora.

 

2- O que as crianças não devem mesmo comer?

Há vários pontos de vista para responder a esta pergunta, mas penso que as orientações de 2017 da ESPGHAN (European Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition) são bastante elucidativas sobre os principais alimentos com que devemos ter cuidado. O sal e o açúcar devem ser reduzidos ou mesmo evitados, assim como os produtos de compra salgados e/ou adoçados. Mel só após os 12 meses, já que os esporos de Clostridium botulinum, podem causar botulismo infantil. O funcho em forma de óleo e chá deve ser evitado até aos 4 anos, por falta de dados sobre o efeito de estragol (um carcinogénico genotóxico natural). E, por fim, também se devem evitar as bebidas vegetais à base de arroz, de forma a reduzir a exposição de bebés e crianças ao arsénio inorgânico, comummente encontrado neste cereal. Para mim, a escolha dos alimentos, para crianças ou adultos, segue uma regra simples: descascar mais e desempacotar menos. Ou seja, deve reduzir-se o consumo de alimentos embalados e processados, nomeadamente os que são ricos em sal, gordura e açúcar, e dar primazia aos alimentos que se descascam, como as frutas e os legumes.

 

3- Quando é que os doces podem ser uma opção?

Penso que o desafio é fazer com que as crianças percebam o que é a rotina e o que é a exceção e incluir os alimentos menos saudáveis na exceção. Não só os doces, mas também outros menos saudáveis, como os fritos ou a fast-food. Passa muito pelos hábitos e rotinas alimentares da família e por aquilo que a criança está habituada a ver em casa, ou a fazer com a família numa base regular. Se uma criança abre o frigorífico e vê sempre chocolates e outras guloseimas, e vê os pais a consumir diariamente, vai depreender que é um alimento que faz parte da rotina. Se, por outro lado, esse produto nunca entrar em casa, ou entrar de forma muito esporádica, a criança percebe que é um dos alimentos de exceção. Parte de educar a criança a perceber a diferença entre a rotina e a exceção é nunca proibir. Parece um contrassenso, mas não é. O ditado já é antigo, mas ‘o fruto proibido é o mais apetecido’. Eu nunca proibi os meus filhos de comerem nada, mas sempre limitei e tentei que percebessem em que momentos se deve comer o quê.

 

4- Como podemos tornar as festas de aniversário mais saudáveis?

Hoje em dia existe uma corrente de pais e famílias mais conscientes, que procuram opções mais saudáveis para as festas dos seus filhos. Coisas simples, como palitos de legumes e um dip (como húmus ou guacamole) e fruta em copos ou espetada, fazem toda a diferença. Quando os alimentos são apresentados de forma criativa, as crianças sentem-se atraídas. Outra ideia útil é substituir os saquinhos de guloseimas no final das festas por outros pequenos presentes, como lápis, livrinhos de colorir ou de histórias.

 

5- O que é essencial numa lancheira escolar?

As nossas lancheiras, que já fazemos há mais de 4 anos, têm sempre 3 elementos: uma porção de cereais integrais (em forma de panquecas, bolachas, barritas, queques, pão, de preferência caseiros, ou granola, cereais tufados); uma porção de fruta ou legume (de preferência crua e inteira); e por fim uma fonte de gordura e proteína, que pode ser um laticínio (leite, iogurte, ou queijo), ou frutos secos, ou sementes. Mesmo em casa, quando preparam os seus próprios lanches, as nossas crianças acabam por fazê-lo com estes 3 elementos, porque o hábito já está bem estabelecido.

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