Agricultura biológica

Com À Roda da Alimentação

São muitas as dúvidas sobre a , também conhecida como agricultura orgânica. Com ajuda de uma especialista, esclarecemos os princípios e características desta prática sustentável de agricultura.

O que é a agricultura biológica, quais os seus princípios, vantagens e características, são algumas das dúvidas e questões levantadas por este tipo de agricultura.

O À Roda da Alimentação falou com a nutricionista Salomé Borregana, que integra a equipa da área Health & Wellness da Sonae MC, que nos ajudou a conhecer melhor as vantagens da agricultura biológica.

O que é a agricultura biológica?

A agricultura biológica (ou produção biológica) é um sistema global de gestão de explorações agrícolas e de produção de alimentos, que combina as melhores práticas ambientais, respeitando a biodiversidade e a preservação dos recursos naturais. Pressupõe ainda a aplicação de normas muito exigentes no que toca à garantia do dos animais.

No contexto da agricultura, não existem diferenças entre biológico e orgânico. A agricultura biológica também é conhecida como ‘agricultura orgânica' (Brasil e países de língua inglesa), ‘agricultura ecológica' (Espanha, Dinamarca) e ‘agricultura natural' (Japão).

Características da agricultura biológica

  • Não recorre a pesticidas ou adubos químicos de síntese, nem a Organismos Geneticamente Modificados (OGM).
  • Promove práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema agrícola, tais como rotações, adubos verdes, compostagem, etc.
  • Respeita o ambiente e o bem-estar animal.

Objetivos da produção biológica (1)

I) Estabelecer um sistema de gestão agrícola sustentável

  • Respeitando os sistemas e ciclos da natureza;
  • Mantendo e reforçando a saúde dos solos, a , as plantas e os animais e o equilíbrio entre eles;
  • Contribuindo para a diversidade biológica e para o uso responsável dos recursos naturais.

II) Produzir uma ampla variedade de produtos agrícolas e géneros alimentícios de elevada qualidade

  • Que responda à procura, por parte de um número crescente de consumidores de produtos produzidos através da utilização de substâncias e processos naturais;

Princípios gerais da produção biológica (1)

I) Privilegiar a utilização dos recursos naturais internos ao sistema

  • Uso de organismos vivos e métodos de produção mecânicos;
  • Cultivo de e produção animal adequados ao solo;
  • Proibição da utilização de OGM e de produtos obtidos a partir de (ou mediante) OGM (exceto medicamentos veterinários).

II) Restringir a utilização de fatores de produção externos

  • Recorrendo quando necessário aos provenientes da produção biológica, substâncias naturais ou derivadas de substâncias naturais e a fertilizantes minerais de baixa solubilidade.

III) Limitação da utilização de fatores de produção de síntese química

  • Só quando não sejam aplicáveis os princípios anteriores, ou caso as aplicações dos referidos fatores de produção externos contribuam para impactos ambientais inaceitáveis.

IV) Adaptação às circunstâncias, sempre que necessário, no âmbito do regulamento, das regras da produção biológica

  • Em função da situação sanitária, das diferenças climáticas regionais, das condições locais, dos estádios de desenvolvimento e das práticas específicas de criação.

(1) Direção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural

Agricultura biológica: vantagens e desvantagens

Na agricultura biológica está apenas autorizada a aplicação de uma lista muito restrita de produtos e substâncias. Por exemplo, é proibido uso de pesticidas de síntese, assim como de fertilizantes de elevada solubilidade.

Os antibióticos apenas podem ser administrados em casos muito restritos de doença e a fim de tratar e evitar o sofrimento aos animais. Também é proibida a utilização de OGM.

Assim sendo, as vantagens são inúmeras:

  • Devido à ausência de resíduos de pesticidas e outros produtos químicos os  permitem uma alimentação mais saudável e natural;
  • Com o uso de produtos naturais no cuidado e tratamento das explorações agrícolas, permite o aumento da biodiversidade local, nomeadamente de plantas e animais;
  • Devido a não se utilizarem pesticidas neste tipo de agricultura, este facto contribui para uma melhor saúde dos solos, da água, das plantas e dos animais e o equilíbrio entre eles.

E quais as desvantagens?  

  • Geralmente os produtos biológicos possuem uma durabilidade reduzida face aos restantes produtos agrícolas, pelo que são mais difíceis de conservar.
  • O preço destes produtos é, por norma, superior porque o processo de produção é mais lento e carece de um número superior de mão-de-obra.
  • Em geral os produtos biológicos têm um pior aspeto (brilho, tamanho, etc.), erradamente percecionado como sendo de qualidade inferior.

Símbolo Europeu

O logótipo da União Europeia identifica os produtos biológicos e garante que cumprem os requisitos do regulamento comunitário para a agricultura biológica. O símbolo é obrigatório em todos os alimentos biológicos pré-embalados produzidos nos Estados-membros.

Produtos biológicos: como identificar?

Os alimentos biológicos pré-embalados têm de apresentar o logótipo comunitário da agricultura biológica na rotulagem. No mesmo campo visual deve constar uma indicação do lugar onde foram produzidas as matérias-primas agrícolas, assim como o código da autoridade ou do organismo de controlo a que está sujeito o operador que efetuou a mais recente operação de produção ou preparação.

Símbolos da agricultura biológica

A agricultura biológica combate pragas?

Não. Por si só a agricultura biológica não combate pragas e está igualmente sujeita a espécies infestantes, como as ervas daninhas, e a ataques de insetos e fungos, que podem levar ao aparecimento de doenças.

Porém, uma das vantagens da agricultura biológica está rotação de culturas que, além de contribuir para o aumento da fertilidade do solo, permite a diminuição do risco de pragas, doenças e ervas infestantes.

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O combate às pragas neste tipo de produção baseia-se sobretudo na prevenção. São adotadas diversas medidas culturais, como a utilização de variedades resistentes a pragas e/ou doenças, rotações, consorciações, instalação de sebes vivas, entre outras.

Também se empregam métodos de luta biológica, que consiste na utilização de organismos vivos para lutar contra outros organismos vivos indesejáveis., nocivos paras as culturas e plantações.

Quando a prevenção não é suficiente, e só em último recurso, podem aplicar-se produtos fitofarmacêuticos de origem mineral, vegetal, animal ou microbiana, sendo obrigatório cumprir requisitos estipulados em legislação específica.

Para saber mais sobre agricultura biológica, veja o nosso programa ‘A paciência dá frutos… e muito mais“.

Autor

À Roda da Alimentação