Facto: a comida não cura a diabetes. Facto: vão por mim, ajuda bastante.

Por À Roda da Alimentação

Facto: A não tem cura. Facto: A alimentação saudável e o exercício físico ajudam a controlá-la. Facto: Você pode ter a doença e não saber.

A insulina (hormona produzida pelo pâncreas) é responsável pela absorção da glicose (açúcar) pelas células, onde esta será convertida em energia. Quando, por algum motivo, a produção de insulina é deficiente ou o organismo resiste à sua ação, passa a existir uma excessiva concentração de açúcar no sangue (hiperglicemia).

Assim se resume, de forma muito básica, a diabetes, a doença crónica que atinge mais de 422 milhões de pessoas em todo o mundo e que continua a fazer vítimas todos os anos. Pior, como pode ser uma doença silenciosa, grande parte dos doentes ainda nem sequer sabe que o é.

O último relatório anual do Observatório Nacional da Diabetes indica que a doença afeta 13,3% da população portuguesa e que cerca de 44% dos doentes ainda não está diagnosticado. Um número alarmante que nos deve pôr em sentido.

Durante uma emissão televisa especial que conduzi sobre o tema, descobri que a diabetes é uma patologia fortemente influenciada pela alimentação e, por isso, escolhi investigá-la aqui um pouco mais.

Para começar, como me destacou a equipa de especialistas em nutrição do Continente, é importante perceber que existem vários tipos de diabetes (explico melhor abaixo). A mais comum, de tipo 2, está bastante associada ao excesso de peso, o que por sua vez, na grande parte dos casos, é provocado por um incorreto regime alimentar e um estilo de vida sedentário.

Diabetes de tipo 2: Fatores de risco

  • Alimentação desequilibrada;
  • Falta de exercício físico;
  • Excesso de peso;
  • Familiares com diabetes.
Fonte: Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

Embora os diabéticos tenham de ter cuidados – e, em alguns casos, medicação -, a vida toda, uma dieta equilibrada e rigorosa é essencial para controlar os seus sintomas e retardar as potenciais complicações (rins, visão e coração).

Simplificando mais uma vez, para garantir uma vida saudável, os diabéticos devem manter a estabilidade dos níveis de glicose no sangue, evitando os picos de açúcar (que acontecem sobretudo após as refeições).

O raciocínio é simples: se o açúcar entra no nosso organismo por via da alimentação, é nela que nos temos de concentrar em primeiro lugar. E não há aqui grandes truques ou segredos, a única forma de o conseguir é através do equilíbrio e da diversidade.

A diabetes afeta mais de um milhão de pessoas em Portugal

Ao contrário do que se possa julgar, não existe muita diferença entre a dieta que se recomenda para uma pessoa saudável e a que se aconselha a um diabético.

Em ambos os casos, ganham os alimentos ricos em fibra como os legumes e a fruta (sobretudo com casca) e as carnes magras; perdem as gorduras, o sal e o açúcar. Salvaguardo que o açúcar, sendo o cerne do problema, é um caso especial para os diabéticos a sua ingestão deve ser mesmo rigorosamente controlada. Deve também fugir-se especialmente dos hidratos de carbono simples e das farinhas refinadas, por terem índices glicémicos mais elevados.

Se é diabético ou pré-diabético (fase que pode anteceder a diabetes), toca a preferir alimentos com pouco ou nenhum açúcar, a comer mais carnes magras e peixe gordos (sem peles e gorduras visíveis), e a trocar as gorduras saturadas e hidrogenadas (produzidas industrialmente a partir da transformação de óleos) pelas polinsaturadas, que estão presentes, por exemplo, nos frutos secos, mas esqueça logo os que são temperados com sal ou mel.

E como ‘cada um é como cada qual’, é importante saber que o que resulta com um diabético pode não funcionar com outro. Vá testando o seu organismo, conhecendo o seu corpo e os seus limites para saber exatamente como metaboliza o açúcar de cada alimento.

Ah, e não se esqueça, o exercício físico é essencial. Esta é mais uma advertência que serve para todos – diabéticos ou não – mexam-se! Isso ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue, estimula a produção de insulina, fortalece a sensibilidade à hormona e ajuda os músculos a captar o açúcar em circulação. E estes também são factos.

Quer aceder a mais informações sobre a diabetes? Pergunte à nutricionista online.

Como viver melhor com a diabetes

  • Não salte refeições, sobretudo o pequeno-almoço;
  • Coma de três em três horas, para controlar os níveis glicémicos;
  • Inclua fontes de fibra nas suas refeições (sopas com hortaliças, cereais integrais, saladas e legumes cozidos, por exemplo);
  • Evite alimentos com açúcares simples (doces e compotas, produtos de pastelarias, refrigerantes, etc.);
  • Vigie regularmente o peso;
  • Beba muita água.

Respeite o semáforo Nutricional 

Verifique bem os rótulos de todos os alimentos, até dos que aparentemente são próprios para diabéticos, e evite produtos com gorduras hidrogenadas, elevados teores de gordura saturada, sal e açúcares. O semáforo do Continente pode ser um ótimo aliado nestas decisões.

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Descubra as diferenças entre diabetes de tipo 1, tipo 2, e gestacional

A diabetes é uma doença crónica que afeta a forma como o organismo metaboliza a glicose, principal fonte de energia do corpo. Ela pode apresentar-se em vários tipos. Os mais comuns são: tipo 1, tipo 2 e Gestacional.

De causa desconhecida e impossível de prevenir, a diabetes de tipo 1 consiste na produção deficiente de insulina e requer a sua administração diária. Menos vulgar, pode manifestar-se em qualquer idade, mas desenvolve-se mais frequentemente nas crianças. Os sintomas incluem vontade frequente de urinar, sede, fome constante, perda de peso, visão turva e fadiga.

A diabetes de tipo 2, forma mais comum da doença, resulta do uso ineficiente da insulina pelo corpo (insulinorresistência). Está fortemente associada ao excesso de peso e sedentarismo. Os sintomas são semelhantes aos da diabetes de tipo 1, mas podem estar mascarados.

A diabetes gestacional surge em grávidas que não tinham a doença antes da gravidez e, se tomadas as devidas medidas, habitualmente, desaparece quando esta termina.

Via verde

  • Canela e outras especiarias (para reduzir a necessidade de açúcar e sal nos cozinhados).
  • Todo o tipo de hortícolas;
  • Cereais integrais e tubérculos (arroz, massa integral, batata e batata-doce, pão de mistura e integral, flocos de aveia);
  • Frutos oleaginosos (nozes, amêndoas, avelãs);
  • Leguminosas (grão, lentilhas, feijão, ervilhas);
  • Fruta fresca na dose certa (preferencialmente com casca);
  • Leite e derivados não açucarados e com baixo teor de gordura.

Sentido Proibido

  • Açúcar, produtos de pastelaria e guloseimas em geral;
  • Mel, geleia de frutas, compotas, marmelada;
  • Bebidas alcoólicas e refrigerantes;
  • Fritos (prefira os cozidos e grelhados);
  • Cereais e derivados refinados (pão branco, massa branca, etc.);
  • Refeições prontas com excesso de gorduras e sal.

O que são doenças crónicas?

  • Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças crónicas resultam da combinação de fatores genéticos, psicológicos, ambientais e comportamentais, têm longa duração e, usualmente, lenta progressão. As doenças cardiovasculares, respiratórias, o cancro e a diabetes são as mais comuns.

Autor

À Roda da Alimentação