Tudo sobre a doença celíaca

Por À Roda da Alimentação

Por ser um tema que preocupa cada vez mais pessoas, decidimos aprofundar o tema da doença celíaca e a intolerância ao . Se quer saber o que é o e para que serve, este artigo é para si.

Artigo atualizado a 26 Maio de 2022

O que é a doença celíaca?

A doença celíaca é uma doença autoimune que afeta de forma crónica e permanente o intestino sempre que há ingestão de alimentos com glúten – uma proteína que se encontra no trigo, no centeio, na cevada, no malte e na aveia – em pessoas com essa predisposição genética. Nos pacientes com doença celíaca, o contacto com esta proteína leva o corpo humano a lançar uma resposta de imunidade, atacando o revestimento do intestino delgado, que fica imediatamente inflamado após a ingestão desta proteína.

Esta doença pode aparecer em qualquer idade, desde que o glúten já tenha sido introduzido na alimentação, mas o habitual é surgir entre os 6 e os 20 meses, ou seja, alguns meses depois da introdução de alimentos com glúten (papas, pão, bolachas, etc.). Contudo, atualmente têm sido diagnosticados casos de doentes sem a sintomatologia habitual e em idades mais avançadas. Pode haver alguma predisposição genética, razão pela qual esta doença é suscetível de afetar com alguma frequência pessoas do mesmo agregado familiar.

Receitas sem glúten

O diagnóstico é feito a partir de uma análise dos sintomas característicos, dos marcadores sorológicos, de biópsia feita com uma amostra de tecido removido do intestino delgado e até através de marcadores genéticos. Os sintomas mais comuns desta doença variam conforme a idade e a faixa etária, podendo também alterar-se em frequência e intensidade. Atualmente, o único tratamento conhecido consiste numa dieta isenta de glúten que deve ser rigorosa, permanente e conduzida de forma saudável e equilibrada. Esta dieta, se for cumprida com rigor, permite ao doente celíaco levar uma vida perfeitamente normal.

Diferença entre doença celíaca e sensibilidade ao glúten não-celíaca

Tanto a doença celíaca como a sensibilidade ao glúten podem levar a sintomas parecidos, mas no caso da sensibilidade não-celíaca não ocorrem danos no intestino e não existem anticorpos associados. No entanto, é fundamental saber se tem doença celíaca, de modo que possa decidir os passos que deve dar para melhorar o seu bem-estar e para saber quão vigilante precisa de estar para evitar o glúten.

Quando um médico faz testes para verificar se existe ou não doença celíaca e também alergia ao trigo, caso o resultado de ambos seja negativo, estamos provavelmente perante uma sensibilidade ao glúten não-celíaca.

Doença celíaca: sintomas

Os sintomas da doença celíaca variam consideravelmente de acordo com a idade e a quantidade de glúten ingerida na dieta alimentar. Nas crianças, a forma clássica da doença revela-se entre os seis meses e os dois anos, depois de o glúten ser introduzido na alimentação. O abdómen proeminente e as nádegas aplanadas são característicos destes doentes e se o diagnóstico não for feito atempadamente é possível verificar casos de má nutrição. Podendo provocar múltiplos sintomas, especialmente de ordem gastrointestinal, aqueles que se verificam como sendo mais frequentes são os seguintes:

  • Diarreia ou obstipação
  •  Desconforto abdominal
  •  Gazes e distensão abdominal
  •  Desnutrição
  •  Perda de peso
  •  Vómitos e náuseas
  •  Falta de apetite
  •  Fezes volumosas

Além deste quadro, quando a doença celíaca se manifesta particularmente nas crianças, nota-se com frequência um atraso no crescimento e uma má progressão do peso.

Intolerância ao glúten (sensibilidade ao glúten não-celíaca)

A intolerância ao glúten (sensibilidade ao glúten não-celíaca) é apenas um excesso de sensibilidade a esta proteína e não uma reação imunológica, como acontece no caso da doença celíaca. Uma explicação para este tipo de sensibilidade pode residir no elevado consumo de trigo e de cereais com glúten, o que causa uma má digestão.

Sintomas de intolerância ao glúten (sensibilidade não-celíaca)

Há um grande número de sintomas de sensibilidade ao glúten, mas precisamente por serem tantos e tão distintos dificultam o diagnóstico quer da doença celíaca, quer da sensibilidade ao glúten, que, neste caso, se apresenta mais com os seguintes sintomas:

  •  Alternância de períodos de diarreia e obstipação
  •  Irritação da pele ou manchas vermelhas
  •  Excesso de gazes e barriga inchada
  •  Tonturas ou cansaço excessivo após as refeições
  •  Enxaquecas frequentes após as refeições
  •  Alterações de humor

Alergia ao trigo

Na alergia existe uma reação do sistema imunitário a uma substância que o nosso organismo considera prejudicial, quando na realidade não o é. Ou seja, o sistema imunológico, assim que deteta e identifica o presumível «invasor», adota medidas rápidas, utilizando os anticorpos para se defender. Este «invasor» é a substância – normalmente trata-se de proteínas – que causa a alergia e é classificada como alergénio. Os sintomas mais comuns são: erupções cutâneas, urticária, congestão nasal, espirros, tosse, náuseas, cólicas, vómitos e diarreia.

Em algumas pessoas alérgicas, o contacto com os alergénios, mesmo que em quantidades mínimas, pode ser suficiente para desencadear uma forte reação alérgica, podendo até pôr a vida em risco (choque anafilático). A anafilaxia é uma reação alérgica por todo o corpo, muito rápida, que implica sintomas como baixa pressão arterial, taquicardia, desmaio e até inchaço na zona interna da garganta (com risco de asfixia). O único tratamento para as alergias alimentares consiste em deixar de ingerir os alimentos que as possam desencadear.

O trigo faz parte da nossa dieta desde tempos imemoriais, mas as reações alérgicas que provoca têm aumentado significativamente nos últimos anos. Este tipo de alergia inclui sintomas semelhantes aos da doença celíaca. O seu diagnóstico pode ser feito por meio de exames ao sangue ou de testes cutâneos.

A alergia ao trigo ocorre, como acontece sempre nestes casos, quando o corpo entra em contacto com este alergénio sob a forma de comida ou de bebida. A proteína do trigo, por ser considerada demasiado agressiva para o corpo, desencadeia uma resposta excessiva do organismo.  À semelhança de outras alergias alimentares, a alergia ao trigo pode ter uma escala que vai desde manifestações moderadas, passando por manifestações graves ou até mesmo manifestações fatais. Por norma, a alergia ao trigo – que também pode ocorrer por inalação de farinha suspensa no ar – afeta o sistema cutâneo, o sistema respiratório e sistema gastrointestinal.

Como substituir o glúten

O glúten nunca deve ser substituído para controlar o peso ou por razões estéticas, uma vez que a sua restrição só se justifica em pessoas com doença celíaca. Para continuar a comer de uma forma saudável sem prejudicar a sua saúde, há várias formas de substituir o glúten na alimentação.
Antes de mais, pode trocar os cereais, ou seja, substituir aqueles que são proibidos por opções isentas de glúten, que continuam a ser escolhas saudáveis – farinhas de arroz, amido de milho, farinha de mandioca, fécula de batata, farinha de soja, araruta ou flocos de arroz e milho, por exemplo.
Por outro lado, tornar a sua alimentação mais natural é sempre uma decisão de peso, uma vez que a ingestão de verduras, frutas e legumes, crus ou cozidos, garante a absorção dos nutrientes necessários para o seu bem-estar.

Investir nas leguminosas é uma boa estratégia, visto que são um alimento sem glúten adequado para uma alimentação equilibrada e com muitos benefícios para os celíacos.

Para quem não for intolerante à lactose, os lacticínios são também ótimas escolhas. O leite, o queijo e os iogurtes são alimentos muito versáteis, que ajudam a regulação intestinal e se enquadram em diversos momentos do dia na nossa alimentação.

Por fim, mas não menos importante, leia sempre a informação dos rótulos para se certificar de que aquilo que está a comprar é isento de glúten.

Alimentos

Com uma dieta sem glúten, a maior parte das pessoas com doença celíaca. Atualmente, os supermercados dispõem de uma enorme gama de produtos sem glúten – nomeadamente os da linha Continente – que cresceu cerca de 40% nos últimos anos e permite fazer uma grande variedade de receitas com alimentos que à partida seriam proibidos. Neste sentido, é possível encontrar dentro desta gama uma série de produtos propositadamente fabricados sem esta proteína – é o caso de alguns tipos de pão, massas, farinhas, cereais, bolachas, entre tantos outros.

Se, entretanto, quiser variar um pouco a sua alimentação sem correr riscos, poderá inspirar-se neste artigo e ficar a conhecer uma receita de pizza sem glúten, um maravilhoso creme de quinoa e ainda umas panquecas deliciosas:

Receitas sem glúten

Ainda assim, é importante recordar os alimentos sem glúten na sua composição e que pode consumir à vontade, sem quaisquer riscos:

  •  Frutas
  •  Vegetais
  •  Hortícolas
  •  Laticínios
  •  Carne
  •  Frango
  •  Pescado
  •  Ovos
  •  Óleos
  •  Nozes
  • Trigo sarraceno
  • Linhaça
  • Quinoa
  • Arroz
  • Leguminosas

Se quiser saber mais sobre este tema, consulte as respostas da nossa nutricionista online.

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À Roda da Alimentação