A dieta mediterrânica e o consumo de vinho

Por À Roda da Alimentação

O insere-se na nossa cultura e estilo de vida desde a época medieval, sendo visto como um símbolo cultural importante, tanto de união como de convívio à mesa.

A dieta mediterrânica – uma dieta com benefícios comprovados para a saúde devido aos seus princípios e à sua riqueza nutricional – tem por base um conjunto de padrões e de hábitos assentes numa alimentação plant based, com preferência por alimentos sazonais, e com um baixo teor de saturada. Esta dieta, assim como a Roda da Alimentação Mediterrânica, recomenda o consumo moderado de vinho às refeições devido à presença de polifenóis e de outros antioxidantes que se encontram nesta bebida.

História do vinho e atualidade

Com a inovação no setor da vitivinicultura e com o desenvolvimento de novas técnicas de produção mais aprimoradas nos séculos xvii e xviii, surgiram vinhos de melhor qualidade e apareceram também as garrafas de vidro com rolhas bem como o saca-rolhas. Os franceses começaram por se destacar neste setor ajudando a consolidar o papel do vinho no comércio mundial emergente. Nos últimos 150 anos, o vinho tem sido considerado tanto uma arte como uma ciência e tem assumido um papel central na cozinha mediterrânica pelo seu simbolismo cultural e social.

Compostos fenólicos: o que são?

Os compostos fenólicos, compostos com ação antioxidante, são muito importantes no vinho, uma vez que estão relacionados, direta ou indiretamente, com a sua qualidade. Estes compostos são responsáveis pela cor, pelo corpo e pela adstringência. As antocianinas, por exemplo, são a causa das diferenças entre o vinho branco e o vinho tinto, uma vez que os vinhos tintos têm um maior teor deste composto fenólico que lhes confere a cor tinta e é também antioxidante.

Nas uvas, existem dois tipos de polifenóis: os compostos flavonóides, que só existem nas uvas tintas, e os compostos não flavonóides. A percentagem de polifenóis nas uvas é superior à do vinho, enquanto no vinho é superior nos tintos relativamente aos brancos.

Os polifenóis são benéficos para a saúde da pele e não só porque têm uma ação antioxidante, prevenindo a oxidação das células pelos radicais livres. Também contribuem para o fortalecimento do sistema imunitário. No entanto, importa relembrar que embora existam no vinho, esta não é a melhor forma de os obter – o ideal é consumi-los em alimentos como fresca e .

A dieta mediterrânica e o consumo de vinho

«Vinho» sem álcool e vinho low alcohol

Um copo de vinho à refeição é rotina em casa de muitos portugueses. No entanto, tem de existir moderação no seu consumo, principalmente quando existe um objetivo de perda de peso ou uma contraindicação médica. As bebidas alcoólicas são, na sua maioria, calóricas – um copo de vinho (150 ml) apresenta em média 120 , mas este valor pode variar de acordo com o volume de álcool presente no vinho.

No Continente já existem opções de vinho com menor teor alcoólico (7,5% de álcool) que se apresentam como «low alcohol», como é o caso do vinho Villa do Mar Low Alcohol Regional Lisboa Branco, que venceu o Prémio Inovação do Clube de Produtores Continente.

Também já é possível encontrar nas prateleiras versões sem álcool, conhecidas como «vinho sem álcool», uma opção a considerar para quem pretende diminuir o consumo de álcool ou procura alternativas não alcoólicas por razões de saúde. O «vinho sem álcool» não é um sumo de uva, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Na verdade, é preparado da mesma forma que o vinho tradicional, ou seja, passa pelo processo de fermentação, porém, no final do seu processamento o álcool é retirado.

Vinho vegan

O vinho é uma bebida à base de fruta – as uvas –, mas durante o processamento desta bebida podem ser utilizados alguns produtos de origem animal, nomeadamente no decorrer da clarificação do vinho. A clarificação do vinho é uma das etapas da vinificação à qual podem ser adicionados gelatinas de origem animal, como a clara de ovo, com o objetivo de clarificar, ou seja, de tornar o vinho mais límpido.  

Ingestão de vinho na saúde

Segundo as entidades de saúde, o consumo excessivo de álcool em Portugal e na Europa continua a ser um problema grave de saúde pública e Portugal é um dos países com maior taxa de consumo. No entanto, a população não o associa à doença e muito menos ao consumo excessivo de calorias (Nutrimento, 2018).

O álcool contém cerca de 7 kcal por grama, um valor apenas ultrapassado pela gordura, que fornece 9 Kcal por grama. No entanto, as gorduras, os hidratos de carbono e as proteínas têm um valor nutricional porque desempenham funções importantes no organismo, mas o álcool fornece apenas «calorias vazias», ou seja, calorias adicionais, praticamente desprovidas de , pelo que o seu consumo deve ser feito com bastante moderação.

O valor calórico varia de vinho para vinho, pois depende da percentagem ou do volume de álcool e do teor de do mesmo, sendo que aproximadamente 3-5% do total de calorias por litro de vinho são «ácidos orgânicos» e, por essa razão, não são contabilizados. Quanto mais açúcar (frutose) tiverem as uvas, maior é o teor alcoólico do vinho.

A dieta mediterrânica e o consumo de vinho

Qual a quantidade de vinho recomendada por dia?

Se consumido com moderação e no contexto da e de um estilo de vida saudável e ativo, o vinho é conhecido por trazer alguns benefícios para a saúde. Por outro lado, os riscos aumentam a cada bebida acima das diretrizes recomendadas pela nova Roda da Alimentação Mediterrânica.

Os estudos mostram que a capacidade de tolerância e metabolização do álcool para homens e para mulheres é diferente, isto é, as mulheres têm mais dificuldade e demoram mais tempo a metabolizar o álcool porque têm menos massa muscular/corporal e são geralmente mais pequenas. Além disso, também têm mais massa gorda, razões que justificam uma maior concentração do álcool no sangue. Por esta razão, as recomendações de álcool para as mulheres são diferentes e inferiores face às recomendações para os homens.

Assim, as recomendações da nova Mediterrânica para um consumo de vinho de baixo risco são:

  • Homens: até 2 copos de 200 ml de vinho por dia.
  • Mulheres: até 1 copo de 200 ml por dia.

Não deve beber se:

  • Estiver grávida.
  • Conduzir ou trabalhar com uma máquina.
  • Tomar medicamentos.
  • Estiver doente.
  • Se for dependente do álcool.
  • Se for criança ou adolescente.

Dicas de consumo

  • Se beber vinho à refeição, alterne com água e evite o consumo excessivo de álcool.
  • Acompanhe o seu copo de vinho com uma refeição nutricionalmente completa.
  • Utilize um copo de 100 ml, pois tamanhos acima levam a um maior consumo de vinho e, consequentemente, a um maior consumo de calorias.

Autor

À Roda da Alimentação