As alergias, as intolerâncias, os mitos e as alternativas

intolerâncias alimentares

Hoje em dia, as compras de supermercado podem ser uma autêntica dor de cabeça para as famílias. As alergias e as intolerâncias alimentares não param de aumentar e a maior parte das vezes já não sabemos o que podemos ou não comer.

Embora pareçam problemas iguais, as intolerâncias alimentares são bem diferentes das alergias; segundo os estudos partilhados pelos especialistas do Continente, são menos graves e mais comuns. Somos intolerantes a um alimento, como à lactose (um hidrato de carbono presente no leite e derivados) ou ao glúten (abundante no trigo, centeio, cevada e aveia), quando o nosso sistema digestivo tem dificuldade ou se mostra incapaz de o digerir, o que na maioria das vezes resulta numa sensação de mal-estar intestinal e náuseas.

Como os sintomas não são muito graves e podem até ser confundidos com uma mera indisposição, há muita gente que pode sofrer de intolerância e ainda não se ter dado conta disso. Por isso, há que estar muito atento aos sinais do organismo.

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Com as alergias o caso é muito diferente porque os sintomas são bem visíveis e, por norma, mais imediatos. Como envolvem o sistema imunitário, as alergias geram reações na pele (inchaços e comichão, por exemplo), podem afetar o sistema respiratório e, em casos muito graves, tocar num alimento alergénico pode causar uma reação extremamente severa (como o choque anafilático: reação alérgica generalizada que pode comprometer os sistemas respiratório e cardiovascular, dando origem à queda da tensão arterial).

Como me indicam os nutricionistas do Continente, em ambos os problemas, a única hipótese que temos de nos proteger é evitando os alimentos ‘proibidos’. E é possível aprender a viver com estas limitações sem perder qualidade de vida? Felizmente, sim. Primeiro, porque já existem inúmeros alimentos alternativos, ou seja, que estão isentos dos perigos (leite sem lactose, pão sem glúten, etc.). Os meus filhos, por exemplo, são pouco tolerantes ao leite de vaca e eu encontro facilmente substitutos quando vou às compras.

Quer saber se pode comer de tudo? A verdade é que já é possível realizar vários testes para identificar intolerâncias ou alergias, mas os médicos admitem que estes podem originar ‘falsos positivos’. Para ter a certeza sobre o que pode ou não comer, o melhor mesmo é ir vigiando as reações do corpo aos alimentos, sabendo que alguns sintomas podem demorar muito tempo a aparecer.

catarina furtado

Os maiores culpados 

Alergias alimentares

  • Leite

  • Ovos

  • Peixe

  • Marisco (crustáceos) e moluscos

  • Frutos de casca rija

  • Nozes

  • Trigo

  • Soja

  • Aipo

  • Tremoço

  • Mostarda

Intolerâncias alimentares

  • Glúten

  • Lactose

dicas
continente catarina furtado

Cerca de 8% das crianças e 4% dos adultos em Portugal sofrem de alergias alimentares.

Fonte: Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares

Cerca de 8% das crianças e 4% dos adultos em Portugal sofrem de alergias alimentares.

Fonte: Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares

Pelo que pude apurar, as alergias surgem maioritariamente em criança e acontecem de forma continuada ao longo de toda a vida, mas, em alguns casos, podem desaparecer – com exceção das que se referem às nozes, amendoins, peixe ou marisco – que são mais resistentes. E ninguém sabe explicar porquê.

Quanto às intolerâncias, o melhor é ir avaliando a reação ao alimento não tolerado, uma vez que doses menores e distribuídas ao longo do dia poderão, eventualmente, não desencadear reações sintomáticas.

Tudo considerado, se tem (ou desconfia que possa ter) uma alergia ou intolerância alimentar, vale a pena ter cuidados acrescidos quando come fora de casa e perder um bocadinho de tempo a ler bem os rótulos das embalagens no supermercado.

Este é um tema que o interessa especialmente? Se tem uma pergunta ou qualquer dúvida, diga-nos abaixo. Nós ajudamos.

a roda da alimentação

Alergias versus Intolerâncias

A diferença entre alergias e intolerâncias (ou sensibilidades) alimentares está na forma como o corpo reage aos alimentos. A alergia provoca uma reação do sistema imunitário, que começa a produzir anticorpos para combater a suposta proteína ‘invasora’, o que resulta na libertação de histamina e outros químicos naturais, que acabam por causar inflamação. As intolerâncias podem surgir quando o organismo não possui a enzima necessária para digerir o alimento, afetam o sistema digestivo e, normalmente, causam apenas perturbações intestinais (gases, diarreia, prisão de ventre), náuseas e vómitos.

À Roda da Alimentação
a roda da alimentação

O que é a doença celíaca?

Doença autoimune que se caracteriza por uma reação imunológica contra o próprio intestino delgado quando se ingere glúten, uma substância constituída por proteínas que se encontram presentes em alguns cereais (trigo, centeio, cevada e aveia). Embora seja fácil de confundir, a doença celíaca não é uma alergia pois resulta de uma reação imunológica dirigida a estruturas do próprio organismo que é induzida pela ingestão de glúten.

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Comentários9

  1. Úrsula 19/08/19 02:33 | 13.12.2018 11:35 AM

    Bom dia Catarina,
    Muito esclarecedor o artigo publicado, parabéns.
    Relativamente às intolerâncias alimentares tenho uma questão que é a seguinte, quando ingiro alimentos derivados do leite ou mesmo leite, na maior parte das vezes fico inchada e com dores na barriga. O que acontece é que esta indisposição depende da hora do dia em que ingiro esses alimentos, por exemplo se for no final do dia ocorre indisposição, se for pela manhã não ocorre indisposição…
    Poderei considerar intolerância ao leite e derivados neste caso em particular?

    Responder
    1. Catarina Furtado
      Catarina Furtado 19/08/19 02:33 | 13.12.2018 3:15 PM

      Olá Úrsula, obrigada por acompanhar o blog. Como a sua questão é técnica, vou pedir a um dos nutricionistas com quem trabalho para a ajudar. Espero que a informação lhe possa ser útil.

      Responder
    2. Especialista Continente
      Especialista Continente 19/08/19 02:33 | 13.12.2018 3:23 PM

      Boa tarde Úrsula,
      A situação que relata pode efetivamente acontecer numa situação de intolerância à lactose, principalmente porque pode estar a exceder a quantidade de lactose que o seu organismo tolera. Contudo, para que seja efetuado o melhor diagnóstico clínico, sugerimos que consulte um médico especialista. Obrigado.

      Responder
  2. José Oliveira 19/08/19 02:33 | 13.12.2018 10:49 PM

    Olá Catarina,
    Obrigado pelas informações que sao muito úteis. As minhas alergias e intolerâncias alimentares foram descobertas por mim ao longo da minha vida. Solicitei muitas vezes a diversos medicos que por análises clinicas, fossem ou não confirmadas. Olhavam para o lado. Só agora fiz uma analise corriqueira que
    Deu resultado positivo, mas não “vinculativo”. Ate no seio do meu agregado familiar eram céticos; “é psicológico” diziam eles. Só quando comecei a sentir mal estar em maior grau ao ponto de ir parar ao hospital começaram a acreditar. Hoje em dia, controlo muito a minha alimentaçao, cada vez menos variada e pobre em alguns nutrietes. Se tenho uma crise, não ha remedio de farmácia que resulte. Sirvo-me de produtos naturais, super eficazes e baratos.
    Conclusão “minha”:
    Os interesses económicos dos produtores e distribuidores desses alimentos, assim como os lobbies da medicina tradicional e dos carteis dos laboratórios, impedem que os cidadãos sejam informados destes problemas. Coitado daqule que nao tem possibilidade de se informar.
    Bem haja.

    Responder
  3. Henrique Tereno 19/08/19 02:33 | 14.12.2018 5:10 PM

    A abordagem desta temática é de louvar. No meu caso sou alérgico às proteínas do leite, e seus derivados consequentemente. Contudo, a simples presença da frase “pode conter vestígios de leite” (por exemplo) é o suficiente para uma pessoa com alergia deixar de comer o produto em questão. Se as empresas que fabricam estes produtos, como é o caso do Continente nas suas marcas, pudessem garantir a inexistência dos alérgenos nos alimentos através da utilização de diferentes linhas de produção distintas. Saliento também que existe uma parcialidade bastante notável na seleção de produtos existentes no que toca a alergias e intolerâncias , sendo a maioria sem glúten e lactose, ignorando produtos isentos de alérgenos como o leite e seus derivados. Por fim, agradeço mais uma vez a abordagem deste assunto porque precisa ainda de ser bastante tratado.

    Responder
  4. Sandra Machado Neves 19/08/19 02:33 | 14.12.2018 7:53 PM

    Concordo. Hoje há muita informação sobre a composição dos produtos e também uma maior variedade. Deveria, no entanto, de haver mais produtos sem a proteína do leite. Refiro-me principalmente a gelados, bolachas, bolos, charcutaria, pois as opções são escassas e limitam muito as opções de quem não pode comer. Como mãe sinto-me muito triste em ter de proibir a uma criança produtos que ela vê outras a consumir…. Se possível, criem uma linha de produtos da vossa marca sem a proteína de leite (a lactose é uma coisa diferente). Desde já agradeço e dou os parabéns pelo esforço que o Continente já tem feito nesta área.

    Responder
  5. Bruna 19/08/19 02:33 | 15.12.2018 12:53 PM

    Boa tarde, muito bom artigo ! Sou intolerante à lactose e só descobri aos 20 anos

    Responder
  6. Catarina Furtado
    Catarina Furtado 19/08/19 02:33 | 17.12.2018 7:10 PM

    Obrigado a todos pelos vossos comentários! São todos bastante interessantes e relevantes. Como sabem a alimentação é um tema bastante complexo e tem uma componente muito individual. Podemos dizer que cada caso é um caso. Tem a ver com a genética, com o metabolismo individual, etc. Não há uma resposta única (ou comum) para todos os casos. No entanto, em caso de dúvidas, é importante recorrerem sempre a equipas e pessoal técnico qualificado, sejam nutricionistas, alergologistas ou médicos.

    Responder
    1. Luis Pereira 19/08/19 02:33 | 20.12.2018 10:06 AM

      Acho aberrante consumir o leite de outra especie, especialmente como adulto.

      Responder

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