castanhas

Há qualquer coisa de inspirador na história de um soldado que num dia gelado de outono, no caminho de regresso a casa, encontra um mendigo, dá-lhe metade da sua capa e o mau tempo desaparece.

É por causa desta lenda que a 11 de novembro, faça chuva ou faça sol, celebramos o magusto, uma festa que homenageia o São Martinho, o bondoso cavaleiro romano que teve direito a um verão especial. E já diz o ditado ‘no dia de São Martinho, pão, castanhas e vinho’. Eu não perco as castanhas por nada e, quanto ao vinho, vai sempre meio copo de água-pé para acompanhar.

Colhidas entre outubro e dezembro, as castanhas são um dos principais presentes do outono. Aliás, não há como uma nuvem de fumo de um assador, numa qualquer esquina de Lisboa, para anunciar a estação.

Sempre gostei do cheiro das castanhas assadas, faz-me voltar aos tempos de pré-adolescente, nas ruas do Bairro Alto, saída do Conservatório, com o maillot apertado debaixo de um casaco gigante. Lembra-me moedinhas no bolso, lareiras, mantas e bebidas quentes. E a minha mãe.

Creme de castanhas e romã

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Noutros tempos dona e senhora na dieta de muitas populações pela Europa, as castanhas acompanham a nossa alimentação há mais de 100 mil anos. Já eram aproveitadas na pré-história, os romanos não viviam sem elas e aldeias inteiras, sobretudo as rurais montanhosas, resistiram à sua custa. Depois, apareceram por cá a batata e o milho e elas foram, aos poucos, perdendo o lugar à mesa.

Aproveitada desde a pré-história, a castanha é, provavelmente, um dos mais antigos alimentos consumidos pelos europeus

Embora a castanha esteja disponível o ano todo (congelada), é só por esta altura que se lhe dá o devido valor. Mas isso pode (e deve) mudar. Eu explico porquê, já que tenho vindo a aprender, sobretudo com o meu marido, que as cozinha tão bem.

Cozidas com um raminho de erva-doce, assadas com ou sem sal, desfeitas em puré ou como base para sopa, as castanhas podem ser cozinhadas de inúmeras maneiras, constituem uma perfeita alternativa ao pão, arroz, massa e batata e, melhor, são um tesouro nutricional.

castanhas
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Para começar, são uma excelente fonte de energia. Como me esclareceu a equipa do Continente, a castanha é um fruto muito rico em hidratos de carbono (39,9 g em cada 100 g), como o amido, e nem por isso é muito calórico (194 kcal por cada 100 g). E, apesar de ser, simultaneamente, uma semente, tem bem menos gordura do que os restantes frutos secos (1,1 g em cada 100 g). Além disso, apresenta um alto teor de fibras benéficas para o intestino e para a regulação dos níveis de colesterol, e não tem glúten, pelo que pode ser uma solução energética de qualidade para os intolerantes ou doentes celíacos.

As castanhas são também ricas em vários nutrientes (por isso comi bastantes quando estava grávida): vitaminas, como B1, B6 e C, e ácido fólico e potássio.
Especialmente boas para o coração (virtude do potássio, que ajuda a manter os níveis normais de pressão arterial, e da tiamina, vitamina do complexo B), protegem igualmente o sistema cardiovascular.

Este snack saboroso (e fácil de levar para todo o lado) atua ainda ao nível do metabolismo de produção de energia, da função psicológica dos sistemas nervoso e imunitário, sendo igualmente uma fonte de compostos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

Por fim, um destaque importante. Embora se possa pensar que são uma guloseima, a verdade é que as castanhas apresentam um baixo índice glicémico (menor capacidade para fazer aumentar o açúcar no sangue), ou seja, quando as comemos, a entrada de açúcar no sangue é gradual, o que importa não só para quem quer manter o peso, mas também para quem sofre de diabetes (um tema de que vos falarei em breve).

Se é daquelas pessoas que despacha a compra das castanhas para a estação inteira de uma só vez, tome precauções para não as deixar ganhar bolor. Guarde-as num lugar fresco e seco, dentro de um cesto, por exemplo, para que possa circular ar. E se, como eu, gosta de saboreá-las o ano todo, pode sempre congelá-las. Não se quer dar ao trabalho ou não tem espaço no congelador? Compre-as já congeladas, porque também as há ‘frescas e boas’.

Quer aprender mais sobre os benefícios deste fruto? Fale connosco. Estamos aqui para lhe responder.

a roda da alimentação

O que são calorias?

As quilocalorias, vulgarmente conhecidas por calorias (kcal) referem-se à medida da quantidade de energia que os alimentos fornecem ao organismo e encontram-se nos nutrientes em quantidades diferentes: os hidratos de carbono fornecem 4 kcal/g; as proteínas fornecem 4 kcal/g; e os lípidos fornecem 9 kcal/g (por isto se associam calorias às gorduras). O álcool, não tendo propriedades nutritivas, fornece 7 kcal/g ao organismo.

Valores recomendados

Os valores médios diários de energia aconselhados para adultos saudáveis e ativos oscilam entre as 1 800 e as 2 500 quilocalorias. Já as crianças e adolescentes, com idades entre os dois e os 18 anos, requerem um consumo energético que oscila entre as mil quilocalorias diárias e as três mil.

Fontes: Associação Portuguesa da Nutrição e Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável
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