Por ser tão pertinente para cada vez mais pessoas, decidi aprofundar o tema do glúten. Deste feita, falei com a nutricionista Sara Almeida Silva.

O glúten e as suas consequências para a saúde é uma preocupação que não se esgota numa entrevista, nem provavelmente em duas. Ainda assim, hoje vamos um bocadinho mais longe no assunto, com a preciosa ajuda e conhecimentos da nutricionista Sara Almeida Silva, da Associação Portuguesa de Celíacos. Três temas a ter em atenção: doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten não celíaca.

 

1 – HÁ MUITA CONFUSÃO EM TORNO DA DOENÇA CELÍACA. EXATAMENTE COMO SE CARACTERIZA ESTA PATOLOGIA? 

Esta é uma doença crónica e autoimune, que surge na sequência da ingestão de cereais que contêm glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis, caracterizando-se pela atrofia das vilosidades do intestino delgado proximal. Os sintomas são vários, podendo atingir o organismo de forma multi-sistémica, mono/oligo-sintomática, com maior ou menor severidade, ou até mesmo permanecer assintomática. Os sintomas clássicos (mais comuns em crianças) são, por exemplo, a distensão e dor abdominal, diarreia, obstipação crónica, atraso no crescimento e/ou irritabilidade. Já os sintomas atípicos (geralmente em adultos) dizem respeito a sintomas extraintestinais e poderão ser a infertilidade, anemia por deficiência de ferro, dermatite heptiforme, alterações nas análises hepáticas (hipertransaminasemia), osteopenia precoce e/ou alterações neurológicas e psiquiátricas. O único tratamento atualmente existente é o cumprimento de uma dieta isenta de glúten.

 

2- E A ALERGIA AO TRIGO É A MESMA COISA? 

Não. A alergia ao trigo resulta de uma resposta específica e reprodutível do sistema imunológico quando exposto à proteína deste cereal, que é reconhecida como agressor do organismo. Posto isto, apenas é necessária a evicção do trigo da alimentação. As manifestações clínicas das reações alérgicas são variadas, podendo em alguns casos ser fatais. Neste caso, os sinais surgem entre alguns minutos até duas horas após a ingestão do alergénio, e incluem desde manifestações cutâneas (ex: edema da glote e da língua ou eczema), respiratórias (ex: dificuldade em respirar), gastrointestinais (ex: vómitos ou diarreia) e/ou cardiovasculares (ex: diminuição da pressão arterial ou perda de consciência).

3- MAS AINDA HÁ A SENSIBILIDADE AO GLÚTEN NÃO CELÍACA… 

A intolerância alimentar ou sensibilidade ao glúten não celíaca tem vindo a ser estudada pela classe médica, mas ainda é uma questão recente e que só deve ser considerada após o rastreio da doença celíaca. Isto porque a mesma se caracteriza pela apresentação de testes negativos para a doença celíaca e ausência de lesão intestinal, mas com alívio dos sintomas quando retiram o glúten da dieta. Os sintomas mais conhecidos são o inchaço, flatulência, dor abdominal e dores de cabeça. É importante salientar que esta condição não exige um rigor na dieta isenta de glúten, contrariamente às duas primeiras. No caso da doença celíaca e alergia ao trigo, a mais ínfima quantidade de glúten ingerida é prejudicial, sendo necessário aplicar a medidas para evitar contaminação cruzada com glúten.

 

4 – EM QUE IDADES SE PODEM MANIFESTAR ESTAS PATOLOGIAS? 

As condições associadas a esta proteína desenvolvem-se apenas após a introdução de alimentos que contêm glúten, sendo que podem manifestar-se através de sintomatologia clássica ou atípica, ou permanecer assintomática em todas as faixas etárias (infância, adolescência, idade adulta ou no idoso). A doença celíaca parece surgir com maior frequência na infância ou na terceira ou quarta décadas de vida.

 

5 – COMO PODEMOS SUBSTITUIR O GLÚTEN?

O glúten é uma fração proteica presente nos grãos do trigo, centeio e cevada, estando por isso no pão, massas, bolachas, cereais de pequeno-almoço ou produtos de confeitaria/pastelaria, correspondendo essencialmente ao grupo de cereais e derivados e tubérculos da Roda dos Alimentos. Para todas estas categorias, já existem no mercado versões isentas de glúten, às quais se deve dar especial atenção, pois na sua grande maioria apresentam um teor de açúcar e gordura superior, com o intuito de melhorar a textura, sabor e aparência, já não fosse o glúten o grande responsável pela capacidade viscoelástica das versões tradicionais. Por outro lado, existem alimentos naturalmente sem glúten, como o arroz, a batata, o milho, a fruta, os hortícolas, a carne, o peixe, os ovos, as leguminosas, o leite e iogurtes naturais e que constituem exemplos de alimentos que devem integrar uma alimentação e estilo de vida saudável.

 

Quer saber mais sobre intolerância ao glúten e as respetivas alternativas alimentares? Deixe-nos as suas questões.
Prometo voltar ao tema com mais dicas e opiniões de especialistas.

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Comentários4

  1. Marlene Santos 26/05/19 13:22 | 20.04.2019 8:49 PM

    Olá Catarina, em primeiro lugar, parabéns pelo programa e muito obrigada por toda a informação disponibilizada a cada semana. Tenho aprendido muito!
    Em relação ao tema: Glúten, e Lactose, gostava de saber o que dizem os nutricionistas sobre esta questão:
    -É aconselhável que uma pessoa saudável, elimine da sua alimentação todo o alimento que contenha glúten e lactose, por opção?
    Muito obrigada pela atenção

    Responder
    1. Especialista Continente
      Especialista Continente 26/05/19 13:22 | 22.04.2019 3:30 PM

      Boa tarde, Marlene Santos. Atualmente existe uma perceção errónea de que retirar o glúten e a lactose da alimentação contribui para um estilo de vida mais saudável, pelo que muitas são as pessoas que resolvem adotar este tipo de dieta, mesmo sem necessidade.

      Importa desmistificar que retirar um nutriente ou alimento da alimentação sem necessidade pode ter consequências negativas para a saúde, nomeadamente a alguma carência nutricional, ou provocar uma futura intolerância. A decisão de eliminar o glúten ou a lactose deve ser tomada se houver uma razão clínica para o fazer, sendo que deve ser orientada por um profissional de saúde.

      Obrigado pela sua questão. Esperamos ter ajudado.

      Responder
  2. Catarina Furtado
    Catarina Furtado 26/05/19 13:22 | 22.04.2019 3:38 PM

    Olá, Marlene. Muito obrigada pelas suas palavras. São uma motivação muito grande para continuar este projeto. O meu objetivo é contribuir, de uma forma simples e acessível, para uma melhor informação sobre alimentação saudável.

    O tema do glúten tem-se prestado a muita desinformação. Por isso, vou pedir a um especialista do Continente para responder à sua pergunta. Eu gosto sempre de me aconselhar junto de quem sabe.

    Beijinhos e obrigada por estarem desse lado.

    Responder
  3. Patrícia 26/05/19 13:22 | 01.05.2019 8:04 AM

    Olá. Bom dia. Gostaria de saber quais são os alimentos que têm os E14- – na sua composição e que quem tem a doença celíaca não pode comer sff. Muito obrigada.

    Responder

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