Vale a pena esperar pela época certa e dou-lhe três razões

figos

Como nem sempre sei como vai ser o meu dia, às vezes nem a hora a que vai acabar, gosto de garantir que começa bem. Ou seja, com fruta, a base dos super pequenos-almoços que preparo em casa e levo para as gravações.

Nos estúdios onde trabalho até já fazem coleção das tijelas da minha mistura matinal, que inclui cereais, fruta e iogurte. Pessoalmente, não sou muito de comer fruta às refeições, mas compenso ao longo do dia, trincando uma peça sempre que posso. À noite, sigo o conselho do meu saudoso avô António e devoro uma maçã, das bem rijas, antes de adormecer. Lá diz o ditado ‘an apple a day keeps the doctor away’ (‘Uma maçã por dia mantém o médico longe’). Verdade ou não, este é um dos hábitos herdados que já não dispenso.

Acredito que uma dieta que aposta na fruta e nos legumes tem tudo para dar certo. Além de me fazer sentir bem, segundo tudo o que já li, pode ajudar a prevenir alguns dos problemas de saúde que mais nos atacam (doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes…).

Felizmente, hoje em dia, numa simples ida ao supermercado conseguimos encontrar os mais diversos tipos de fruta em qualquer altura do ano. Que o diga o meu marido que, por questões logísticas, é quem vai mais às compras cá para casa. Mas muitas vezes, de um dia para o outro, são colocados expositores nestas secções que chamam a nossa atenção para certos produtos. Isto deve-se aos efeitos da sazonalidade da produção nacional, o tema que hoje decidi trazer-lhe.

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Dicas de combate ao desperdício alimentar

As diferentes espécies de frutos e hortícolas têm diferentes ciclos naturais, isto significa que aproveitam melhor os nutrientes que recebem da terra em alturas específicas do ano e, por isso, têm uma estação natural para estarem mais frescos e nutritivos. Segundo me explicaram, o mesmo acontece com alguns tipos de peixe. A sardinha, por exemplo, é considerada mais saborosa na época do verão. Durante a altura de reprodução, que ocorre entre os meses frios de outubro e abril, as sardinhas gastam a gordura rica em Ómega 3 (elemento que lhes dá maior sabor) e só a voltam a acumular nos meses da primavera. Por isso, os meses mais quentes são os melhores para comer sardinhas.

frutos da época

Se eles dizem… 

A Roda da Alimentação Mediterrânica recomenda o consumo diário de:

  • 3 a 5 porções de fruta (uma porção equivale a uma peça de fruta de tamanho médio – 160g)

  • 3 a 5 porções de hortícolas (uma porção equivale a duas chávenas almoçadeiras de hortícolas crus – 180g – ou uma chávena almoçadeira de hortícolas cozidos – 140g)

  • 1 a 2 porções de leguminosas (uma porção equivale a três colheres de sopa de leguminosas cozidas – 80g)

dicas

Além da fruta que preferimos cá em casa, quando vamos às compras, temos o cuidado de pôr sempre no carrinho uns quilinhos de alimentos da época por muitos motivos, mas dou-vos apenas três.

Primeiro, a qualidade. Por exemplo, a fruta da época é saborosa, cheira muito bem e é riquíssima do ponto de vista nutricional.

Segundo as minhas conversas com os nutricionistas do Continente, os produtos da estação estão no auge dos benefícios que nos podem trazer, ou seja, têm ativos todos os componentes que nos fazem bem (vitaminas, minerais e outros compostos biologicamente ativos, como os fitoquímicos que dão a cor aos legumes e fruta). Mas há que lembrar que a fruta e os legumes são produtos de consumo rápido não devem ter demasiado tempo de armazenamento em casa, seja no frio ou na fruteira. Quem nunca encontrou uma alface murcha esquecida na última gaveta do frigorífico? Ou meia dúzia de laranjas podres na despensa? É importante combater o desperdício alimentar.

O consumo diário recomendado é de 400g de fruta, hortaliças e legumes frescos.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

O consumo diário recomendado é de 400g de fruta, hortaliças e legumes frescos.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

No caso dos legumes, a solução pode ser a congelação, que preserva a maioria das vitaminas. Eu, por exemplo, mantenho sempre uma reserva de espinafres no congelador para garantir que não falta sopa em casa quando não há tempo para ir às compras. O mesmo acontece com a abóbora, que congelamos cortada aos bocadinhos.

Produtos na sua época

  • JANEIRO A MARÇO
    Kiwi, laranja, limão, maçã, pera, tangerina, amêndoa, noz e pinhão.

  • ABRIL E MAIO
    Laranja, limão, maçã, morango, nêspera, tangerina.

  • JUNHO A SETEMBRO
    Alperce, ameixa, amora, cereja, figo, framboesa, limão, maçã, melancia, melão, meloa, mirtilo, morangos, pera, pêssego e uva.

  • OUTUBRO A DEZEMBRO
    Dióspiro, romã, kiwi, laranja, limão, maçã, pera, tangerina, amêndoa, avelã, castanha, noz e pinhão.

Fonte: Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (AGROBIO)

A segunda razão que lhe dou para conhecer bem a época própria dos alimentos é a poupança. Um dos grandes truques para conseguir reduzir a fatura, sobretudo importante para quem tem famílias muito grandes, é comprar os alimentos que estão em maior quantidade e, por isso, com melhor relação qualidade-preço. Os legumes e frutos da estação são por norma mais baratos do que os outros. Além disso, como temos um clima ameno e solo fértil para diferentes culturas, nunca falta por onde escolher entre os ‘verdes’ e a fruta. Aliás, o sucesso é tal que já exportamos muita desta produção para vários pontos do mundo. É o caso da pera rocha do Oeste e das laranjas do Algarve, entre muitos outros nobres exemplos.

Por fim, o último argumento que lhe deixo é que, ao comprar os produtos da época, estamos a apoiar a produção local e nacional e, com isso, a estimular a criação de emprego e, a limite, a própria saúde da economia, ao mesmo tempo que nos deliciamos com um pêssego.

E para fazer tudo isto pela saúde, pela carteira ou pela economia basta escolher comprar melancias entre junho e setembro ou aproveitar mais as nêsperas em abril e maio. É tão fácil como parece.

Quer saber mais sobre os produtos da época? Pergunte abaixo e nós respondemos.

+ Cor + Saúde

Existem cinco categorias de cores para classificar a fruta. Cada uma indica a presença de compostos biologicamente ativos que promovem a saúde, os chamados fitoquímicos. Estes são os seus principais benefícios para a saúde, segundo a Associação Portuguesa de Nutrição.

1 – Vermelho

Ricos em Vitamina C, B6 e ácido fólico.

Fitoquímicos como o licopeno, o ácido elágico e os flavonoides (p.e. campferol e antocianinas) contribuem para a presença da cor vermelha na fruta, associando-se, por exemplo, à prevenção de cancro da próstata, cancro do trato urinário, redução do risco de doença cardiovascular, proteção das células contra radicais livres e melhoria da memória.

Exemplos: Morango, framboesa, groselha, melancia e romã.

2 – Roxo azulado

Ricos em Vitamina C e B, ácido fólico, potássio e fósforo.

A cor roxa ou púrpura da fruta é habitualmente conferida pelas antocianinas e flavonoides. As antocianinas são essenciais na proteção do dano oxidativo das células, atuando na prevenção da carcinogénese e mutagénese. Pela presença de resveratrol, esta fruta é útil na melhoria de problemas cardiovasculares.

Exemplos: Amoras, mirtilos, uvas tintas, figos e ameixas.

3 – Amarelo alaranjado

Ricos em Vitamina A, B e C e potássio.

Os carotenoides (beta-caroteno, luteína e zeaxantina) são os compostos responsáveis por estes pigmentos e têm um papel fundamental na prevenção de doenças oftalmológicas. Neste grupo, é também habitual a presença de terpenos (por exemplo limonóides importantes nos mecanismos de desintoxicação hepática) e de flavonoides, como a quercetina (inibe possivelmente a agregação plaquetária e tem efeito anti-tumoral). Assim, a fruta deste grupo apresenta benefícios para a saúde visual e cardiovascular, e para o sistema imunitário.

Exemplos: Manga, papaia, melão, ananás, laranja, pera, limão e pêssego.

4 – Branco

Ricos em Vitaminas B1, B2 e B3, potássio e magnésio.

Esta coloração resulta da presença de antoxantinas. Os frutos deste grupo podem ajudar a reduzir o risco de cancro do estômago e de doença cardiovascular, pelo seu efeito na diminuição do colesterol e pressão arterial.

Exemplos: Banana, anona, meloa e pera.

5 – Verde

Ricos em Vitaminas B, C e K, ácido fólico e potássio.

A clorofila é o principal pigmento dos frutos verdes. Este grupo confere benefícios como a redução do risco de cataratas e degeneração macular devido à presença de luteína e zeaxantina, duas xantofilas pertencentes ao grupo dos carotenoides.

Exemplos: Abacate, kiwi, uva verde e maçã verde.

Fonte: Associação Portuguesa de Nutrição
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