Maus hábitos alimentares

Escolhi cinco conceitos que nos ajudam a perceber como podemos criar condições para nos alimentarmos melhor, ao mesmo tempo que poupamos tempo e dinheiro… e ainda combatemos o desperdício.

Hoje quero falar-lhe do que podemos fazer melhor ainda antes de nos sentarmos.

1. ORGANIZAÇÃO. DÁ TRABALHO, MAS FAZ DIFERENÇA

Quantas vezes não vai à despensa e repara que tem três pacotes de arroz e nem um de esparguete. Abre o frigorífico e é só cenouras. Pimentos, nem vê-los. Acontece a todos, mas pode ser evitado. Escreva, aponte, faça uma lista! Sempre que acaba alguma coisa lá em casa, estamos todos instruídos para anotar essa falta num bloquinho que mantemos na cozinha. É um costume velhinho, mas que continua a fazer todo o sentido. Assim, quando é preciso, a lista de supermercado está praticamente pronta.

Wraps arco-Irís de legumes com queijo creme

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O MELHOR DOS FRESCOS ESTÁ EM

continente.pt/frescos

Se conseguir arranjar tempo, o que nem sempre é fácil (sei bem), o ideal mesmo é planear com antecedência as refeições da semana, para comprar apenas os ingredientes necessários e evitar as compras por impulso.

Ainda no que toca à organização (uma coisa que, admito, adoro fazer porque também me ajuda a ‘arrumar’ a mente), sugiro que no regresso a casa com as compras, tente arrumar os alimentos de forma adequada dentro do frigorífico. Na despensa, opte por separar os artigos de acordo com o seu género e com a frequência de utilização.

E para evitar tragédias, naquelas noites em que põe em dia as séries ‘a não perder’ ou nos fins de semana de carências súbitas, em que, mais ou menos, comemos o que temos à frente, é importante manter alguns snacks saudáveis à vista. Assim, não fica com tanto peso na consciência.


2. COMPRAS. E TRUQUES PARA AS FAZER MELHOR

Todos já ouvimos isto, mas nem sempre lhe damos o devido crédito: não é boa ideia ir ao supermercado com o estômago vazio. Segundo vários artigos que li, a sensação de fome leva-nos a fazer escolhas precipitadas e pouco acertadas para a nossa saúde, pelo que é importante saciar antes o apetite.

Na secção dos frescos, além dos que costuma comprar, não se esqueça de levar também os da época que, habitualmente, têm um preço mais acessível.

Aproveite as promoções (vale a pena espreitar os folhetos antecipadamente) para aumentar o stock daqueles alimentos que é bom ter sempre em casa, como os enlatados e congelados, que têm maior validade e podem resolver uma refeição, em qualquer momento.

Para evitar o desperdício, compre em quantidades ajustadas às necessidades da sua família.

Não agarre logo nos produtos refrigerados (iogurtes, queijos frescos, etc.) e congelados. Deixe esta seleção para o fim das compras. Assim, garante melhores condições de preservação e evita chegar às caixas com o carrinho a pingar.

catarina furtado

Tire mais partido do seu frigorífico! 

Os frigoríficos têm ligeiras diferenças de temperatura no interior para armazenar alimentos com diferentes necessidades de conservação.

  • ZONA SUPERIOR
    (MAIS FRIA)
    Iogurtes, queijos e alimentos cozinhados.

  • ZONA INTERMÉDIA
    Carne e pescados, produtos de charcutaria, ovos, conservas abertas e produtos de pastelaria.

  • ZONA INFERIOR
    (MENOS FRIA)
    Produtos em descongelação.

  • GAVETAS INFERIORES
    Hortícolas, fruta e leguminosas frescas.

  • PRATELEIRAS DA PORTA
    Água, leite, manteiga, cremes vegetais.

dicas
maus hábitos alimentares

Todos os anos, o mundo desperdiça cerca de um terço dos alimentos produzidos.

Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

Todos os anos, o mundo desperdiça cerca de um terço dos alimentos produzidos.

Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

3. TEMPO. HÁ POUCO, HÁ QUE USÁ-LO BEM 

O tempo é um bem escasso, todos sabemos. Por isso, há que saber aproveitá-lo, dedicando-o ao que realmente interessa, como a saúde.

 A menos que seja para comprar os legumes da salada indispensável que acompanhará o jantar, evite ir às compras a correr porque, normalmente, a pressa leva-nos a fazer compras irrefletidas.

Tente planear o seu tempo, de forma ir ao supermercado sem urgências. Leia bem os rótulos, consulte os semáforos nutricionais, encontre as promoções, conheça as novidades… enfim, tente fazer escolhas esclarecidas e acertadas.


4. REGRAS. À MESA NÃO DEVEM FALHAR 

Muitas vezes, sem nos apercebermos, os hábitos que temos à mesa podem não ser os mais adequados. Por exemplo, pôr os temperos (sal, azeite, molhos, etc.) sobre a toalha aumenta a possibilidade de cometermos excessos. É mais difícil resistir à tentação se ela estiver mesmo à nossa frente, não é?!

Quando temos filhos, também é importante definir regras de permanência, para todos, até ao fim da refeição. Não só porque isso estimula a atenção para o que está no prato, mas também porque oferece mais oportunidades para as conversas. As refeições são um tempo precioso de convívio que deve ser aproveitado. E ajuda muito se os telemóveis, ou outras fontes de distração, forem proibidos de participar. Aqui em casa é lei: não há telemóveis durante as refeições ou televisão ligada enquanto estamos a comer (nem sequer para ver a mãe ou o pai).


5. IMAGINAÇÃO. A ARTE DE REAPROVEITAR

Útil em qualquer circunstância da vida, a imaginação é uma ótima ferramenta para combater o desperdício alimentar que, infelizmente, já atinge as toneladas, todos os anos.

Uma alimentação saudável não significa comer sempre o mesmo. Seja criativo e tente não repetir refeições, sem aumentar o orçamento. Sobrou frango guisado do jantar de ontem? Desfaça-o e ponha-o numa salada. Há carne assada a mais? Pique-a e use num empadão. As bananas estão a ficar muito maduras? Faça-se um batido para o pequeno-almoço (eu, por exemplo, faço bastantes).

A Internet pode dar uma ótima ajuda com propostas para o que fazer com os restos. E se de repente não lhe surgir nenhuma ideia sobre como dar conta daqueles brócolos cozidos que sobraram do almoço, congele. Podem bem vir a servir na sopa que se fizer no próximo fim de semana.

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