Alimentação e doenças do coração

Por À Roda da Alimentação

As chamadas «doenças do coração» continuam a ser uma das principais causas de morte em Portugal. Mas, afinal, que doenças são estas e de que modo podemos preveni-las? Além do exercício físico e da adoção de um estilo de vida mais saudável, a alimentação tem um papel importante. Vamos saber como reduzir alguns riscos, já que os assuntos do coração são mesmo para levar a sério.

O que são as doenças cardíacas?

As doenças cardíacas, ou seja, as doenças cardiovasculares (DVC) – cárdio é relativo ao coração e vasculares refere-se aos vasos sanguíneos – afetam o sistema circulatório; isto é, o coração e os vasos sanguíneos, nomeadamente as artérias, as veias e os vasos capilares.

Há vários tipos de DCV, mas as mais graves são aquelas que afetam as artérias coronárias (artérias do coração) e as artérias do cérebro.

As DVC são na sua maioria causadas pela arteriosclerose, que consiste no depósito de placas de e de cálcio no interior das artérias; por conseguinte, a circulação sanguínea nos órgãos fica dificultada ou torna-se mesmo impossível, e é por esta razão que a arteriosclerose desempenha um papel decisivo neste tipo de doenças.

Quando a arteriosclerose afeta as artérias coronárias, surgem vários sintomas e doenças como angina de peito, falta de ar, claudicação intermitente (dores nas pernas devido à redução do fluxo sanguíneo)ou, na pior das hipóteses, um ataque cardíaco.

Por outro lado, quando a arteriosclerose se desenvolve nas artérias do cérebro, podem aparecer sintomas como alterações de memória e tonturas ou, num cenário mais trágico, um acidente vascular cerebral (AVC), que consiste basicamente na rotura de uma placa arteriosclerótica; é esta rotura  que vai obstruir uma artéria cerebral.

A diminuição do fluxo sanguíneo noutras partes do corpo devido à arteriosclerose também pode causar outros tipos de problemas, como disfunção erétil, caso sejam afetadas as artérias do pénis, ou dificuldades respiratórias, se a arteriosclerose se manifestar nas artérias que fornecem sangue aos pulmões.

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Fatores de risco para o coração

Há alguns fatores de risco que contribuem para as doenças do coração e não podem ser alterados: a idade, o sexo, os genes e a origem étnica.

No entanto, também há fatores de risco que podem ser modificados por serem fruto de uma decisão ou de um hábito, como é o caso do consumo de tabaco, da atividade física, do controlo do peso e daquilo que comemos e bebemos. Embora não possamos controlar tão bem outras condições como a poluição atmosférica, o stresse, o ruído e as infeções, a verdade é que estas circunstâncias podem ser potencialmente modificáveis.

Todos estes fatores podem afetar os níveis de colesterol e de açúcar no sangue, bem como a tensão arterial. No entanto, ter um fator de risco não implica necessariamente o desenvolvimento de doenças cardíacas, mas quanto mais fatores de risco uma pessoa tiver, maiores serão as possibilidades de isso acontecer.

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A e prevenção de doenças

Há algumas doenças cardíacas com causas conhecidas, porém, outras são simplesmente herdadas. A boa notícia é que os problemas mais comuns – ataques cardíacos, derrames cerebrais e hipertensão arterial – podem ser prevenidos com estilos de vida mais saudáveis e com uma alimentação adequada.

Aquilo que comemos é o combustível para o corpo construir novas células. Por essa razão, é fundamental conhecer os alimentos que contribuem para a saúde cardiovascular:

  • Frutas e hortícolas. São ricos em fibra, vitaminas, minerais e antioxidantes; ajudam a baixar a tensão arterial e a controlar os níveis de colesterol no sangue. Os frutos vermelhos, como morangos e mirtilos, e os de folhas verde-escuras são uma fonte extraordinária de antioxidantes. Não se esqueça do velho hábito português de fazer sopa.
  • Cereais. Alimentos como aveia, , integral e pão integral são ricos em fibras solúveis, que diminuem os níveis de colesterol e melhoram a saúde do coração. Alguns deles têm bastante ácido fólico, vitamina B6 e B12, tão importantes para o sistema sanguíneo.
  • Produtos lácteos com baixo teor de gordura, como , iogurtes e queijo. Estas opções nas formas “magras” têm menos gorduras saturadas que podem aumentar o risco de doenças cardíacas.
  • Peixe gordo. Idealmente devemos comer peixe gordo duas vezes por semana. O , a sardinha e a cavala são ricos em ácidos gordos ómega-3, uma «gordura saudável», que ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas.
  • . Feijões, lentilhas, e outras leguminosas são ricas em fibra, proteínas vegetais e outros nutrientes que o coração agradece.
  • Nozes e sementes. Nozes, amêndoas, castanhas e sementes como chia e linhaça contêm gorduras saudáveis, fibra e antioxidantes benéficos para a saúde cardiovascular
  • Azeite extra virgem. O azeite é uma fonte de gorduras saudáveis com benefícios cardiovasculares, nomeadamente a redução do chamado «mau colesterol» (LDL).
  • Chá verde. O chá verde tem compostos antioxidantes que podem melhorar a saúde cardiovascular, podendo ajudar a diminuir a tensão arterial.

Há um sinal vermelho para alguns alimentos que devem ser evitados, como é o caso dos alimentos salgados, nomeadamente os enchidos e fritos. De preferência afaste o saleiro do prato, já que o consumo excessivo de sal é altamente prejudicial.

Igualmente importante é não comer gordas – há muitas opções de carnes magras à disposição – e reduzir a ingestão de alimentos ricos em açúcar e gorduras, especialmente gorduras saturadas, que se encontram nos bolos de pastelaria e nas refeições pré-cozinhadas.

Deixe o pecado da gula para os dias de festa!

Fonte: Harvard – School of Public Health; SNS

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À Roda da Alimentação